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Marmoraria baiana zera conta de luz após instalar usina de energia solar
13/01/18 as 08:17 pm
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Até janeiro de 2017, a conta de luz da marmoraria Medd Mármores, situada em Serrinha (a 173 km de Salvador), chegava a custar cerca de R$ 1.300 mensais. A partir de março, no entanto, o empresário Danilo Teixeira da Silva, proprietário do estabelecimento, passou a pagar somente R$ 63 à Coelba. Como essa redução foi possível? É que o sol passou a ser a principal fonte de energia do seu negócio.

Com a instalação de placas fotovoltaicas no telhado da fábrica, que também funciona como loja, a conta de energia foi zerada - o valor de R$ 63 é a tarifa mínima de disponibilidade cobrada pela Coelba. O projeto de energia solar responde em 100% pelo consumo do estabelecimento e, segundo Danilo, houve outro ganho, uma geração de energia equalizada, sem variações, o que evita o desgaste do maquinário, como acontecia antes. “A sobrecarga das subestações da Coelba ocasionava oscilações na geração de energia e isso prejudicava os equipamentos”, reforça.

Na planilha de custos da marmoraria Medd Mármores, o que aconteceu foi a substituição de uma despesa por um investimento. Um valor equivalente ao custo com conta de luz agora é direcionado para as parcelas do financiamento do Banco do Nordeste, por meio do qual a marmoraria pôde contratar os serviços de uma empresa de energia renovável, que executou o serviço em um valor total R$ 96 mil, 100% financiado pela linha FNE Sol do BNB, em 120 meses.

A empresa responsável pela instalação das placas solares na marmoraria foi a baiana EcoInova, especializada em engenharia solar. O diretor comercial André Brasileiro explica que o valor de R$ 96 mil contemplou o kit gerador fotovoltaico (equipamentos) e o projeto de energia solar em si, que inclui dimensionamento, registro na distribuidora, instalação e manutenção preventiva e corretiva.

Investimento e economia
“Ele continuou com um custo fixo que já tinha, sendo que trocou um gasto por um investimento, com a ressalva de que as parcelas do BNB são decrescentes, ou seja, hoje equivalem ao que ele pagava mensalmente em conta de luz, mas em alguns meses já serão menores”, destaca.

Para mostrar como o investimento é vantajoso, o empresário da EcoInova faz uma projeção para a marmoraria. “Ele financiou R$ 96 mil que, em 10 anos, vão se reverter numa economia de R$ 99 mil, valor que ele terá deixado de pagar à Coelba. Ao longo de 25 anos, essa economia será de R$ 1 milhão”.

André Brasileiro esclarece que os equipamentos de geração de energia solar têm 10 anos de garantia pelo fabricante. “Além disso, após 25 anos, os módulos instalados devem estar com 80% da sua capacidade de geração de energia, comparada à alcançada no ato da instalação”, diz ele.

Para que isso aconteça, é preciso que o sistema seja instalado a partir da contratação de uma empresa de engenharia qualificada e capacitada para executar o serviço dentro das normas técnicas existentes. “Com as adequações e manutenção corretas, o sistema funciona uma vida inteira", esclarece Eduardo Brasileiro, engenheiro e responsável técnico da Ecolnova.

“Além da economia e da vantagem da geração equalizada, a energia solar também é uma solução inovadora que dialoga com o conceito de sustentabilidade ao utilizar uma energia limpa, renovável e inesgotável”, conclui satisfeito o empresário Danilo.

Novas regras
A atuação da EcoInova e os benefícios conquistados pela marmoraria de Serrinha foram possíveis graças à resolução 687 de 2016 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) - complementar à 482 de 2012 -, que trouxe novas regras e parâmetros para a produção de energia renovável no Brasil.

Se a resolução normativa de 2012 trouxe como novidade a implantação do sistema de compensação de energia – por meio do qual a energia renovável excedente gerada por uma unidade consumidora passa a ser injetada na rede da distribuidora (Coelba), a qual funcionará como uma bateria, armazenando esse excedente – a resolução do ano passado encurtou o prazo estipulado, agora de 37 dias, para as concessionárias analisarem o projeto e ativarem o registro da unidade consumidora.

A regra encorajou o surgimento de novas empresas baianas no ramo, já que, em paralelo, o Estado da Bahia passou a isentar o ICMS na geração de energia solar de até 75 quilowatts. A Bahia foi o sétimo estado do País a aderir ao convênio 16/2015 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que prevê a dispensa do tributo nos casos de micro ou mini-geração de energia.

FNE Sol
O FNE Sol é destinado a empresas de todos os portes e setores, produtores e empresas rurais, cooperativas e associações. Podem ser financiados sistemas completos envolvendo geradores de energia, inversores, materiais auxiliares e instalação. O financiamento pode ser de até 100% do valor do investimento, a depender do porte e localização do cliente.

O valor das parcelas do FNE Sol é equivalente à redução projetada na conta de energia do mutuário após a implantação do sistema de compensação, no sentido de ele não ter um acréscimo mensal de despesa. Ao pagar em dia, o banco ainda dá um bônus de 15% sobre os juros. A taxa de juros situa-se abaixo da média do mercado.

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